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Desmistificando UX Design e Negócios

Escrito por Rafael Oliveira
 em 20 de novembro de 2020

O designer de experiência do usuário (UX Designer) tem suas atribuições baseadas pelo Design Thinking, sempre colocando as necessidades das pessoas como peça central da sua interpretação e das suas ações. Sob essa ideia, o UX Designer parte para jornadas de entendimento, descobertas, ajustes e construção de significado e desempenho para desenvolver um produto consistente, acessível e não menos importante com ótima experiência de uso.

Na outra face, o negócio lida com inúmeras responsabilidades, contratos, prazos e riscos acerca do produto a ser desenvolvido.

Conhece as situações de mercado, informações demográficas dos clientes e descreve regras valiosas para o produto em questão. Portanto, design e negócios são duas faces da mesma moeda, que trabalham de maneira distinta e complementar para melhor experiência de uso e maior ganho de troca, podendo ser compreendida por seu valor, foco, ferramentas, incerteza e falhas, lógica, atividades, processos, pensamento e viés.

  1. Valor: criar valor é do negócio e do design, enquanto o negócio cria valor de troca, o design cria valor de uso. O valor de troca é objetivo e quantificável (lucros, custos, margens e receitas), o valor de uso é subjetivo e qualitativo (benefício do uso para a pessoa, facilidade, experiência e emoções).
  1. Foco: enquanto o foco do negócio está no mercado, o foco do design está na cultura. Para criar valor de troca, o negócio mede clientes e mercados (metas de venda, estatística demográfica), para criar valor de uso, o design compreende os humanos e suas influências (ambientes, personalidades, origens e desejos).
  1. Ferramentas: enquanto as ferramentas de negócio são de entradas numéricas e resultados mensuráveis para tomada de decisão binária (retorno sobre o investimento, ponto de equilíbrio, valor presente líquido e valor de vida do cliente), as ferramentas de design são de ação e natureza exploratória (observação, empatia, imaginação, visualização, mapeamento de jornada, pesquisa etnográfica e prototipagem).
  1. Incerteza e falhas: enquanto o negócio reduz, elimina ou controla informações para minimizar o risco de falha, o design se envolve com a incerteza e a falha e aceita os erros para aprendizado rápido, como oportunidade para explorar e descobrir novos territórios.
  1. Lógica: enquanto na lógica do negócio predomina a dedutiva e a indutiva (informações gerais para conclusão específica e informações específicas para conclusão geral – respectivamente), na lógica do design predomina a abdutiva (infere novas ideias, criatividade e inovação). Assim, o negócio depende de informações existentes para criar valor, enquanto o design desafia informações e busca novas perspectivas para criar valor.
  1. Atividades: enquanto o negócio lida com atividades explotativas, o design lida com atividades explorativas. Os negócios refinam conhecimentos e capacidades existentes (eficiência, maximização de valor de troca, padronização e escala), enquanto o design explora novos conhecimentos para novas descobertas (futuro, possibilidades, melhores soluções para os humanos).
  1. Processos: enquanto os processos de negócio são curtos, lineares, limpos, previsíveis e implicam em riscos menores, os processos de design são longos, circulares, confusos, com muitas variáveis e erros são administrados. Os processos de negócio lidam com refinamento das informações para alcançar precisão e eficiência. Os processos de design lidam com iterações para heurísticas originais e novas oportunidades.
  1. Pensamento: enquanto no negócio predomina o pensamento convergente, o design combina os pensamentos divergente e convergente. O pensamento do negócio está para escolha da melhor resolução dentro de algumas opções predefinidas para um problema predefinido. O pensamento do design está para o enquadramento do problema e identificação dos possíveis caminhos para sua resolução.
  1. Viés: enquanto o viés de negócio é de confiabilidade, o viés de design é de validade. O negócio toma decisões precisas, previsíveis e consistentes com amplo foco em informações confiáveis. O design toma decisões ao validar se suas ideias criam melhores experiências e valor de uso com amplo foco na satisfação dos humanos. No entanto, a confiabilidade do negócio em dados e modelos anteriores dificulta a inclusão de informações relevantes, por não estarem alinhadas as informações do passado. Análogo, a validade do design pode sobrecarregar a confiabilidade do negócio se mudar constantemente de ideia, pois se muda a ideia, mudam as informações e a consistência das medições. Portanto, a complementaridade entre design e negócios é benéfica e gera avanços para a organização.

O valor do design para o negócio:

  • Liderança analítica: mais do que feeling é uma liderança analítica, mensura e impulsiona o desempenho do design com o mesmo rigor que as receitas e custos do negócio.
  • Talento multifuncional: mais do que um departamento, é um talento multifuncional que torna o “design centrado no usuário” uma responsabilidade de todos, não uma função isolada.
  • Iteração contínua: mais do que uma fase, é uma iteração contínua que reduz riscos ao ouvir, testar e iterar continuamente com os usuários.
  • Experiência do usuário: mais do que produto, é a experiência do usuário que quebra as paredes internas entre design físico, digital e de serviço.

“O designer é como uma biblioteca de ferramentas, repertórios e vivências prontas para resolver os mais diversos desafios.”

A mensagem que fica deste conteúdo é que UX Design e Negócios precisam casar suas jornadas, ouvir, compartilhar e considerar um ao outro para que o senso limitado de detecção do mundo respectivo a cada disciplina não impeça a inovação, mas permita-se ser complementada por outra área do conhecimento. Para tanto, este texto apresentou inúmeras situações que permitem ao designer auxiliar o negociador com um olhar de outro ângulo, com a visão do profissional da exploração. Portanto, Negociador, busque sempre aproveitar as atribuições do Designer, este profissional está sempre pronto para interpretar, agir e resolver os mais diversos problemas relacionados às experiências do usuário e, consequentemente, os problemas do negócio.

Afinal, a distinção e complementaridade de design e negócios, de duas culturas, deve produzir oportunidades criativas – é daí que surgem alguns avanços para o bem-estar da humanidade.

Referências

  • GABAY, Ron. Breaking the Wall Between Business and Design—Becoming a Hedgefox. Design Management Journal, v. 13, n. 1, p. 30-39, 2018.
  • GABAY, Ron. Design-led innovation: lessons from the scientific revolution. Interactions, v. 27, n. 5, p. 64-67, 2020.
  • MCKINSEY&COMPANY. The business value of design. Disponível em: https://www.mckinsey.com/business-functions/mckinsey-design/our-insights/the-business-value-of-design. Acesso em: 14 out. 2020.
  • SNOW, Charles Percy. The two cultures and the scientific revolution. Cambridge University Press, 1959.

Autoria

Rafael Oliveira – UX Lead na DBC Company

https://www.linkedin.com/in/rafael-oliveira-48487b31/

Fernando Souza Ferreira – UX Analyst na DBC Company

https://www.linkedin.com/in/souzaferreira/

por Rafael Oliveira UX Lead
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